Acolhimento é uma palavra cada vez mais presente em diferentes contextos. Está nas empresas, nas escolas, nos hospitais e nas conversas sobre saúde mental e relações humanas, questões de ordem afetivas, as chamadas dores do coração.
Os dicionários costumam defini-lo como a forma de receber alguém com hospitalidade, amparo, proteção ou refúgio. É oferecer atenção, escutar e levar em consideração as necessidades de outra pessoa.
Mas acolher vai além de uma definição.
É uma atitude que aproxima, reconhece a humanidade do outro e demonstra respeito diante de suas vulnerabilidades, mostra solidariedade. Não significa ter todas as respostas ou resolver os problemas de alguém. Muitas vezes, é apenas estar presente de forma genuína.
Quando esse acolhimento acontece de verdade, algo muda. Sentimo-nos vistos, respeitados e menos sozinhos. As dificuldades deixam de ser enfrentadas em isolamento e os sentimentos encontram espaço para existir, sem a necessidade de justificativas ou explicações. É quando o calor humano, tantas vezes ausente nas relações, encontra espaço para aparecer.
Ser acolhido também nos lembra que nossas emoções são legítimas e deixa a sensação de “coração quentinho”. Cada pessoa vive, interpreta e enfrenta a vida a partir da própria história. Por isso, não existe uma maneira certa ou errada de sentir. Existem experiências diferentes, tempos diferentes e formas diferentes de atravessar cada momento.
Acolher implica não julgar, não criticar. É reconhecer que ninguém vive exatamente como o outro e que as diferenças não diminuem a experiência de ninguém. Pelo contrário: elas ampliam nossa capacidade de compreender o mundo e de construir relações mais respeitosas.
Talvez seja justamente essa a maior força do acolhimento: criar um espaço onde não seja preciso esconder fragilidades para ser aceito.
Quando nos sentimos acolhidos, também nos tornamos mais capazes de acolher. E relações construídas sobre essa base costumam ser mais leves, honestas e humanas.
Fica aqui o convite para exercitarmos mais o acolhimento e sermos mais acolhidos.
Adriana – CVV Jabaquara – São Paulo
Se precisar conversar ligue 188, ou acesse www.cvv.org.br para chat ou email.
